Um guia para o caminho do Bodissátva [texto integral] Tradução de Rogel Samuel
SHANTIDEVA: CAPÍTULO I O Benefício da Mente de Iluminação
la. Com respeito eu me prosterno aos Sugatas Que estão dotados com o Dharmakaya E me prosterno aos seus tão Nobres Filhos! E a todos dignos de veneração. lb. Vou explicar como se tomam os votos Dos Filhos dos Buddhas. Estes são votos, Dos quais o seu sentido condensei, Que estão de acordo com as escrituras.
2.Nada há aqui que não se tenha explanado Antes. E como não sou mestre de poética. E em falta da intenção de ajudar aos outros Escrevo pro meu próprio conhecer.
3. Com este conhecimento benfazejo A força de minha fé pode crescer. Mas se por outros lidos estes versos Iguais a mim deles terão o sentido.
4. Dom e lazer são mui raros encontrados E dados ao que é significativo. Não os utilizar agora, quando Outra ocasião perfeita me haverá?
5. Como um clarão de luz na noite escura Tudo ilumina por alguns instantes Assim no mundo o poder de um Buddha Raro, breve, brilha um pensamento bom.
6. Enquanto da virtude é muito fraca Do mal a grande força é intensa e extrema. Mais que a Inteira, Desperta Mente, que outra Que outra virtude o pode resistir?
7. Muitos eons os Buddhas meditaram E viram o que era o benefício Com esta que incontável massa de seres Logo tem o supremo estagio e bênção.
8. Aqueles que desejem eliminar Os muitos sofrimentos de existências Aqueles que desejem experimentar Alegria e felicidade eternas Nunca abandonam o desejo do Despertar.
9. Quando nasce esta Mente que Desperta No fraco e algemado prisioneiro Nas existências cíclicas algemado, ”Um filho dos Sugatas" passa a ser Reverenciado por deuses e homens.
10. É como o supremo elixir de ouro Quando transforma nosso corpo sujo Na forma do Buddha, jóia sem preço. Logo, mantenha a Mente que deseja Despertar.
11. Desde o Guia deste Mundo Investigou a inteira a Preciosa Lei, os que queiram libertar-se desta Morada mundana logo mantêm Com firmeza esta Mente que Desperta.
12. As outras virtudes são plantações Correm perigo de não darem frutos. Mas da Mente Desperta a perene arvore Flores e frutos colhem-se incessante.
13. Qual confiando o corpo a um bravo herói Assim confio serei liberado Por esta Mente que deseja Despertar, e rápido, Mesmo que os males inomináveis extremos Tenha cometido. Como então não devotarem-se também vocês?
14. Qual o fogo no fim do mundo Num instante consumindo um grande mal, A incomparável vantagem foi explicada Ao discípulo Sudhana pelo sábio Senhor Maitreya.
15. Assim, a Mente que Desperta É compreendida sendo de dois tipos: A mente que aspira o despertar E a mente que já fez isto, venturosa.
16. Assim é compreendida a distinção Entre a aspiração e o fazer. Assim o sábio compreende pois A distinção entre elas, duas.
17. Ainda que ocorram grandes frutos Na cíclica existência, para esta mente Que aspira o Despertar, Um ininterrupto rio de mérito não ocorre Como com a Outra, a Mente Desperta.
18. E para quem mantém com a perfeita Com a intenção de nunca retornar Se encontrará completo e liberado Das formas de vida, infinitas.
19. Desde aquele tempo até então E mesmo quando dormindo ou inconsciente, A força do seu mérito é igual ao céu E perpetuamente se produzirá.
20. Para aquele, ao menor veículo devotado, Isto logicamente foi proferido Pelo próprio Tathagata, No Sutra que Subahu pediu.
21. Se mesmo o pensamento de alívio Da dor de cabeça de uma única pessoa É intenção benéfica De infinita benevolência,
22. Imagine então o desejo de libertar De suas inconcebíveis misérias Todos, mesmo os seres pequeninos, Para que realizem, ilimitadas, suas boas qualidades?
23. Da mesma forma pais e mães Terão com elas as mesmas benevolentes intenções? Ou deuses e sábios? Ou mesmo Brahma o terá?
24. Se aqueles seres nunca nem antes sonharam Nem de tal libertação sabiam Para si, como poderia isto nascer E em relação a salvação dos outros?
25. Esta intenção de beneficiar os seres Que nos outros não nasce mesmo até Para sua própria salvação É a extraordinária jóia da mente E sem precedente desta vontade é o nascimento.
26. Como posso eu penetrar os abismos Das belezas desta jóia da mente, Esta meditação que cura a dor do mundo E é fonte de toda a máxima alegria?
27. Se uma única intenção benévola É maior do que a veneração aos Budhas, Imagine externar de fazer o desejo de fazer A todos os seres, sem distinção, felizes?
28. Através do desejo de liberarem-se da miséria Correm eles em direção a sua desgraça. Em vez de suas felicidades produzirem Como inimigos, inconscientes Correm para sua própria perdição.
29. Para os que estão privados da felicidade E estrangulados por muitos sofrimentos Isto satisfaz a todas as suas alegrias E isto alivia todo o seu sofrer.
30. Acalmando toda a confusão . Onde outra virtude igual terá? Onde outro amigo igual a este? Onde outro mérito como tal?
31. Se alguém algum bem feito recompensa De louvor é digno de ser. Imagine ao Bodhisattua Que faz o bem sem saber a quem?
32. O mundo o venera como virtuoso Aquele que algumas vezes oferece Um pouco de comida a poucos seres Que satisfaz apenas meio dia.
33. Imagine o que se pode dizer daquele Que eternamente a bênção sem igual dos Sugatas oferece E para um ilimitável número de seres Desta forma atendendo a todas as suas esperanças?
34. Disse o Buddha que quem emitir um único mau pensamento Contra um Benfeitor como um Bodhisattua, No inferno ficara tantos eons Quanto houver em pensamentos maus.
35. Mas se uma atitude virtuosa nasce Seu frutos multiplicam-se muito mais que isto E quando sofrem os Bodhisattuas nunca Geram negatividades, mas ao contrário Suas virtudes naturalmente se avolumam.
30. Eu me prosterno diante do corpo daquele Em que nasceu a Preciosa e Sagrada Mente. Nesta fonte de alegria busco refúgio Que felicidade traz mesmo para os que lhe são adversos.
(Trad. do inglês por Stephen Batchelor e para o português por R. Samuel)
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