UM DOS MAIS BELOS E TERRÍVEIS FILMES SOBRE O TIBET
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
DIMENSÕES DA ESPIRITUALIDADE
DIMENSÕES
DA ESPIRITUALIDADE
S.
S. Dalai Lama
Irmãos e irmãs, gostaria de falar sobre valores espirituais
definindo dois níveis de espiritualidade. Como seres humanos, nosso
objetivo básico é ter uma vida feliz; todos queremos ser felizes. É
natural, para nós, buscar a felicidade. Esse é nosso objetivo de
vida. A razão é completamente clara: quando perdemos a esperança, o
resultado é que nos tornamos deprimidos e talvez até suicidas.
Portanto, nossa existência é fortemente enraizada na esperança.
Embora não haja garantia de que o futuro chegará, é porque temos
esperança que somos capazes de continuar vivendo. Podemos dizer que
o propósito de nossa vida, nosso objetivo de vida, é a felicidade.
Irmãos e irmãs, gostaria de falar sobre valores espirituais
definindo dois níveis de espiritualidade. Como seres humanos, nosso
objetivo básico é ter uma vida feliz; todos queremos ser felizes. É
natural, para nós, buscar a felicidade. Esse é nosso objetivo de
vida. A razão é completamente clara: quando perdemos a esperança, o
resultado é que nos tornamos deprimidos e talvez até suicidas.
Portanto, nossa existência é fortemente enraizada na esperança.
Embora não haja garantia de que o futuro chegará, é porque temos
esperança que somos capazes de continuar vivendo. Podemos dizer que
o propósito de nossa vida, nosso objetivo de vida, é a felicidade.
Seres humanos não são produzidos por máquinas. Somos mais do que
apenas matéria; temos sentimento e experiência. Por essa razão,
somente conforto material não é suficiente. Necessitamos algo mais
profundo, o que usualmente chamo de afeição humana, ou compaixão.
Com afeição humana, ou compaixão, todas as vantagens materiais que
temos à nossa disposição podem ser muito construtivas e produzir
bons resultados. Contudo, sem afeição humana, somente vantagens
materiais não nos proporcionarão satisfação, nem produzirão qualquer
medida de paz mental ou felicidade. De fato, vantagens materiais sem
afeição humana podem até mesmo criar problemas adicionais. Portanto,
afeição humana, ou compaixão, é a chave para a felicidade humana.
O primeiro nível da espiritualidade, para os seres humanos de todos
os lugares, é a fé em uma das muitas religiões do mundo. Penso que
há um importante papel para cada uma das principais religiões
mundiais, mas para que elas façam uma contribuição efetiva em
benefício da humanidade do lado religioso, há dois fatores
importantes a serem considerados. O primeiro é que praticantes
individuais das várias religiões —isto é, nós mesmos— devem praticar
sinceramente. Ensinamentos religiosos devem ser uma parte integral
de nossas vidas; eles não deveriam estar separados de nossas vidas.
Algumas vezes, vamos a uma igreja ou um templo e rezamos uma prece,
ou geramos algum tipo de sentimento espiritual e, quando saímos,
nada daquele sentimento religioso permanece. Essa não é a forma
adequada de praticar. A mensagem religiosa deve estar conosco onde
quer que estejamos. Os ensinamentos da nossa religião devem estar
presentes em nossas vidas de forma que, quando realmente precisamos
ou pedimos bençãos ou força interior, mesmo nessas horas esses
ensinamentos estarão lá; eles estarão lá quando passarmos por
dificuldades porque estão constantemente presentes. Somente quando a
religião torna-se uma parte integral de nossas vidas é que ela pode
ser realmente efetiva.
Também precisamos experienciar mais profundamente os significados e
valores espirituais de nossa própria tradição religiosa — precisamos
conhecer esses ensinamentos não só a nível intelectual, mas também,
de forma cada vez mais profunda, através de nossa própria
experiência. Algumas vezes entendemos diferentes idéias religiosas
num nível muito superficial ou intelectual. Sem um sentimento
profundo, a eficácia da religião torna-se limitada. Portanto,
devemos praticar sinceramente, e a religião deve tornar-se parte de
nossas vidas.
O segundo fator refere-se mais à interação entre as várias religiões
mundiais. Hoje, por causa da crescente mudança tecnológica e a
natureza da economia mundial, estamos muito mais dependentes uns dos
outros do que antes. Diferentes países e continentes tornaram-se
mais intimamente associados uns com os outros. Na realidade, a
sobrevivência de uma região do mundo depende da de outras. Portanto,
o mundo tornou-se mais próximo, muito mais interdependente. Como
conseqüência, há mais interação humana. Sob tais circunstâncias, a
idéia de pluralismo entre as religiões mundiais é muito importante.
Em tempos passados, quando as comunidades viviam separadas uma das
outras e as religiões surgiam num relativo isolamento, a idéia que
havia só uma religião era muito útil. Mas agora a situação mudou, e
as circunstâncias são inteiramente diferentes. Agora é crucial
aceitar o fato de que existem diferentes religiões, e a fim de
desenvolver verdadeiro respeito mútuo entre elas é essencial
aproximar o contato entre as várias religiões. Esse é o segundo
fator que possibilitará as religiões mundiais serem mais eficazes em
beneficiar a humanidade.
Quando estava no Tibete, eu não tinha contato com pessoas de
diferentes crenças religiosas. Assim, minha atitude em relação às
outras religiões não era muito positiva. Mas, quando tive a
oportunidade de encontrar pessoas de diferentes crenças e aprender
com essa experiência e o contato pessoal, minha atitude para com as
outras religiões mudou. Compreendi como são úteis para a humanidade
e o potencial contributivo de cada uma para um mundo melhor. Há
séculos, as religiões vêm dando contribuições maravilhosas para o
aprimoramento dos seres humanos, e ainda hoje há um grande número de
seguidores do cristianismo, islamismo, judaísmo, budismo, hinduísmo
e assim por diante. Milhões de pessoas estão se beneficiando de
todas essas religiões.
Para dar um exemplo do valor do encontro de diferentes crenças, meus
encontros com o falecido Thomas Merton fizeram-me perceber que
bonita, maravilhosa pessoa ele era. Noutra ocasião, encontrei-me com
um monge católico que viveu vários anos como eremita numa montanha
bem atrás do mosteiro de Montserrat, na Espanha. Quando visitei o
mosteiro, ele desceu de sua ermida especialmente para falar comigo.
O fato de o inglês dele estar pior do que o meu me deu mais coragem
de falar com ele! Ficamos cara a cara e perguntei, " Nesses poucos
anos, o que você estava fazendo naquela montanha?" Ele olhou-me e
respondeu, "Meditação na compaixão, no amor". Quando ele disse estas
poucas palavras, entendi a mensagem através dos seus olhos.
Realmente desenvolvi verdadeira admiração por ele e por outros como
ele. Tais experiências ajudaram a confirmar na minha mente que todas
as religiões do mundo têm o potencial para produzir boas pessoas, a
despeito das suas diferenças de filosofia e doutrina. Cada tradição
religiosa tem sua própria maravilhosa mensagem a transmitir.
Do ponto de vista do budismo, por exemplo, o conceito de um criador
é ilógico. É difícil para os budistas entenderem esse conceito por
causa do modo que eles analisam a causalidade. Contudo, este não é o
lugar para discutir questões filosóficas. O ponto importante aqui é
que para as pessoas que seguem esses ensinamentos nos quais a crença
básica está num criador, esta abordagem é eficaz. De acordo com
essas tradições, o ser humano individual é criado por Deus. Além
disso, como recentemente aprendi de um dos meus amigos cristãos,
eles não aceitam a teoria do renascimento, e assim, não aceitam
vidas passadas ou futuras. Acreditam somente nesta vida. Contudo,
eles mantêm que esta vida é criada por Deus, pelo criador, e esta
idéia desenvolve neles um sentimento de intimidade com Deus. Seu
ensinamento mais importante é que, como estamos aqui por desejo de
Deus, nosso futuro depende do criador, e porque o criador é
considerado supremo e sagrado, devemos amar a Deus, o criador.
O que segue-se a isso é o ensinamento que deveríamos amar nossos
semelhantes — esta é a mensagem principal aqui. O raciocínio é que
se amamos a Deus, devemos amar nossos semelhantes porque eles, como
nós, foram criados por Deus. O futuro deles, como o nosso, depende
do criador, portanto, sua situação é igual a nossa. Logo, a crença
das pessoas que dizem "Ame a Deus" mas não mostram amor verdadeiro
para seus semelhantes é questionável. A pessoa que acredita em Deus
e no amor a Deus, deve demonstrar a sinceridade de seu amor a Deus
através do amor dirigido aos semelhantes. Essa abordagem é muito
poderosa, não é?
Assim, se examinarmos cada religião por vários ângulos e da mesma
maneira — não apenas da nossa posição filosófica mas de vários
pontos de vista — não pode haver dúvida de que todas as grandes
religiões têm o potencial para melhorar os seres humanos. Isto é
óbvio. Através de um contato próximo com pessoas de outras fés, é
possível desenvolver uma atitude aberta e de respeito mútuo em
relação a outras religiões. Proximidade com diferentes religiões
ajuda-me a aprender novas idéias, novas práticas, e novos métodos ou
técnicas que posso incorporar à minha própria prática. Da mesma
forma, alguns de meus irmãos e irmãs cristãos adotaram certos
métodos budistas, como a prática da mente unifocada e as técnicas de
desenvolvimento da tolerância, da compaixão e do amor. O benefício é
enorme quando praticantes de diferentes religiões se unem para esse
tipo de intercâmbio. Além de desenvolverem a harmonia entre si,
ganham outras benesses.
Políticos e líderes de nações falam com freqüência em "coexistência"
e "ação conjunta". Por que não nós, religiosos, também? Acho que é
chegada a hora. Em Assis, em 1987, por exemplo, líderes e
representantes de várias religiões mundiais se encontraram para orar
juntos, embora eu não saiba ao certo se orar é a palavra exata para
descrever com acuidade a prática de todas aquelas religiões. Em todo
caso, o que importa é que os representantes de várias religiões se
reuniram e, conforme suas próprias crenças, rezaram. Isso já está
acontecendo e é, creio eu, muito positivo. No entanto, ainda
precisamos fazer mais esforços para aumentar a harmonia e a
proximidade entre as religiões mundiais, pois sem um tal esforço
continuaremos a vivenciar todos esses problemas que dividem a
humanidade. Se a religião fosse o único remédio para reduzir o
conflito humano, mas se este mesmo remédio se tornasse outra forma
de conflito, seria um desastre. Hoje, como no passado, ocorrem
conflitos em nome da religião por causa de diferenças religiosas, e
acho isso muito triste. Mas, como disse antes, se pensarmos aberta e
profundamente compreenderemos que a situação atual é inteiramente
diferente do passado. Não estamos mais isolados, mas somos
interdependentes. Hoje, portanto, é muito importante entender que um
relacionamento íntimo entre as várias religiões é essencial, para
que diferentes grupos religiosos possam trabalhar juntos e realizar
um esforço comum para o benefício da humanidade. Assim, sinceridade
e fé na prática religiosa por um lado, e tolerância e cooperação
religiosa por outro, formam este primeiro nível do valor da prática
espiritual para a humanidade.
O segundo nível da espiritualidade — a compaixão como religião
universal — é mais importante que o primeiro porque, não importa
quão maravilhosa uma religião possa ser, ainda assim ela é aceita
somente por um número limitado de pessoas. A maioria dos cinco ou
seis bilhões de seres humanos em nosso planeta provavelmente não
pratica religião alguma. De acordo com o seu ambiente familiar, eles
poderiam se identificar como pertencentes a um ou outro grupo
religioso — "eu sou hindu", "eu sou budista", "eu sou cristão" —,
mas realmente a maioria desses indivíduos não é necessariamente
praticante de nenhuma crença religiosa. Isto está correto: seguir
uma religião ou não é um direito da pessoa como indivíduo. Todos os
grandes mestres, como Buda, Mahavira, Jesus Cristo e Maomé falharam
em tornar toda a população humana voltada para a espiritualidade. O
fato é que ninguém pode fazer iss Se esses não-crentes são chamados
de ateus não importa. De fato, para alguns estudiosos ocidentais os
budistas também são ateístas, pois não aceitam um criador. Por isso,
às vezes, ao descrever estes não-crentes, adiciono a palavra
"extremo" e os chamo de não-crentes extremos. Eles não apenas são
não-crentes mas também são extremos, presos ao ponto-de-vista de que
a espiritualidade não tem valor. Contudo, devemos lembrar que essas
pessoas também são uma parte da humanidade e também têm, como todos
os seres humanos, o desejo de viver uma vida pacífica e feliz. Este
é o ponto importante.
Acredito que não há problemas em permanecer não-crente, mas enquanto
você fizer parte da humanidade, enquanto você for um ser humano,
você precisa de afeição humana, compaixão humana. Este é realmente o
ensinamento essencial de todas as tradições religiosas: o ponto
crucial é a compaixão ou afeição humana. Sem afeição humana, mesmo
crenças religiosas podem tornar-se destrutivas. Assim, a essência,
mesmo na religião, é um bom coração. Considero que a afeição humana,
ou compaixão, é a religião universal. Crente ou não-crente, todos
necessitam de afeição humana e compaixão, porque compaixão nos dá
força interior, esperança e paz mental. Assim, ela é indispensável
para todos.
Examinemos, por exemplo, a utilidade de um bom coração na vida
cotidiana. Se estamos de bom humor quando nos levantamos de manhã,
com um sentimento caloroso no coração, automaticamente está aberta a
nossa porta interior para aquele dia. Mesmo se uma pessoa pouco
amistosa aparece, não nos perturbamos, e podemos até dizer a ela
alguma coisa simpática. Mas num dia de humor menos positivo, quando
nos sentimos irritados, nossa porta interior se fecha
automaticamente. O resultado é que, mesmo se encontramos nosso
melhor amigo, ficamos pouco à vontade e tensos. Tais situações
mostram a diferença que nossa atitude interior faz nas experiências
do dia-a-dia. Precisamos, pois, a fim de criar uma atmosfera
agradável em nós mesmos, nas nossas famílias e nossas comunidades,
compreender que a fonte desse bem-estar está dentro do indivíduo,
dentro de cada um de nós — um bom coração, compaixão humana, amor.
Uma vez criada uma atmosfera positiva e amistosa, o medo e a
insegurança automaticamente diminuem. Assim, podemos facilmente
fazer mais amigos e criar mais sorrisos. Afinal de contas, somos
animais sociais. Sem amizade humana, sem o sorriso humano, nossa
vida torna-se miserável. O sentimento de solidão fica insuportável.
É a lei natural, isto é, pela lei natural dependemos dos outros para
viver. Se, sob certas circunstâncias, por algo estar errado dentro
de nós, nossa atitude para com nossos semelhantes, de quem
dependemos, se tornar hostil, como poderemos esperar paz de espírito
e uma vida feliz? De acordo com a natureza humana básica, ou lei
natural, a afeição — compaixão — é a chave da felicidade. Segundo a
medicina contemporânea, um estado mental positivo, ou paz mental,
também é benéfico para a saúde física. Logo, mesmo do ponto de vista
de nossa saúde, paz e calma mental são cada vez mais importantes.
Isso mostra que o próprio corpo físico aprecia e responde à afeição
humana, à humana paz de espírito.
Se olharmos para a natureza humana básica, veremos que nossa
natureza é mais dócil do que agressiva. Se examinarmos vários
animais, notaremos que aqueles de natureza mais pacífica têm uma
estrutura corporal correspondente, enquanto os predadores têm uma
estrutura corporal desenvolvida de acordo com a natureza deles.
Compare um tigre com um veado. Há uma grande diferença de estrutura
física entre eles. Quando comparamos o nosso próprio corpo com os
deles, vemos que somos mais parecidos com os veados e coelhos do que
com os tigres. Até os nossos dentes são mais parecidos com os deles,
não são? Bem diferentes dos do tigre. Nossas unhas são outro bom
exemplo — eu não sou capaz de pegar nem um rato, só com as minhas
unhas humanas. Claro, a inteligência humana nos habilita a criar
ferramentas e métodos sem os quais seria difícil fazer muito do que
fazemos. Como vêem, devido ao nosso estado físico, pertencemos à
categoria dos animais dóceis. Acho que é nossa natureza humana
fundamental que se mostra em nossa estrutura física básica.
Diante da situação global atual, a cooperação é essencial,
especialmente em campos como economia e educação. O conceito de que
diferenças são importantes está agora mais ou menos ultrapassado,
como demonstra o movimento por uma Europa Ocidental unificada. Acho
que esse movimento é verdadeiramente maravilhoso e chega em boa
hora. Ainda assim, esse trabalho entre as nações não aconteceu por
causa de compaixão ou fé religiosa, mas por necessidade. Há uma
tendência crescente em direção da conscientização global. Nas atuais
circunstâncias, um relacionamento mais íntimo com os outros
tornou-se um elemento da nossa própria sobrevivência. Portanto, o
conceito de responsabilidade universal baseado na compaixão e num
senso de irmandade é essencial. O mundo está cheio de conflitos —
por causa de ideologia, de religião ou até entre famílias — baseados
em alguém querendo uma coisa e outra pessoa querendo outra coisa.
Assim, se examinarmos as fontes de todos esses conflitos,
descobriremos muitas fontes, muitas causas, até dentro de nós
mesmos.
Nesse meio tempo, todavia, temos o potencial e a capacidade de
unirmo-nos harmoniosamente. Tudo mais é relativo. Embora haja várias
causas de conflito, existem ao mesmo tempo muitas causas para união
e harmonia. Chegou a hora de pôr mais ênfase na união. Também aqui,
há que haver afeição humana. Por exemplo, você pode ter uma opinião
ideológica ou religiosa diferente da de outra pessoa. Se você
respeitar o direito da outra pessoa e mostrar sinceramente uma
atitude compassiva para com ela, então não importa se a idéia dela
lhe serve, isso é secundário. Enquanto a outra pessoa acreditar,
enquanto puder se beneficiar de tal ponto de vista, ela estará em
seu absoluto direito. Então, precisamos respeitar e aceitar o fato
de que existem diferentes pontos de vista. No campo da economia
dá-se o mesmo: nossos competidores devem obter algum lucro, pois
eles também precisam sobreviver. Quando temos uma visão mais ampla
baseada na compaixão, creio que tudo se torna mais fácil. Compaixão,
mais uma vez, é o fator-chave.
Os conflitos mundiais estão hoje consideravelmente menos tensos.
Felizmente, agora podemos pensar e falar seriamente sobre
desmilitarização. Cinco anos atrás isso seria difícil, mas hoje a
Guerra Fria entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética acabou.
Aos meus amigos americanos eu sempre digo: A força de vocês não vem
das armas nucleares, mas dos nobres ideais de democracia e liberdade
dos seus antepassados. Quando estive nos Estados Unidos em 1991,
pude encontrar o ex-presidente George Bush. Na ocasião, falávamos
sobre a nova ordem mundial e eu lhe disse: Uma nova ordem mundial
com compaixão é ótimo. Sem compaixão, não tenho certeza.
Creio que é um bom momento para pensarmos e falarmos sobre
desmilitarização. Já há sinais de redução armamentícia e, pela
primeira vez, de desnuclearização. Passo a passo, vamos vendo uma
diminuição de armas. Penso que nossa meta deveria ser a de livrar o
mundo — nosso pequeno planeta — das armas. Isso não quer dizer,
porém, que devamos abolir todo tipo de armas. Talvez seja preciso
guardar algumas, pois há sempre algumas pessoas e grupos criando
confusão entre nós. Por precaução, e para nos resguardarmos desses
focos, poderíamos criar um sistema internacional de forças policiais
monitoradas regionalmente, que não pertençam a nenhum país mas sejam
controladas coletivamente e supervisionadas por uma organização
internacional, como as Nações Unidas. Sem armas disponíveis, não
haveria perigo de conflito militar entre as nações, nem haveria
guerras civis.
A guerra continua sendo, para nossa tristeza, parte da história
humana, mas acho que chegou a hora de mudar os conceitos que levam à
guerra. Certas pessoas acham gloriosa a guerra, e que através dela
podem se tornar heróis. Essa atitude comum em relação à guerra é
muito errada. Um entrevistador me disse, um desses dias, que os
ocidentais têm muito medo da morte, mas que os orientais a temem
pouco. Eu lhe respondi, em tom de brincadeira, que para a
mentalidade ocidental, a guerra e a instituição militar parecem
extremamente importantes. Guerra significa morte — provocada, e não
por causas naturais. Assim, são vocês, ocidentais, que não temem a
morte, porque gostam tanto da guerra. Nós, orientais, principalmente
nós, tibetanos, não podemos nem pensar em guerra; lutar, para nós,
está fora de cogitação porque o resultado inevitável da guerra é o
desastre: morte, ferimentos e miséria. Portanto, o conceito de
guerra para nós é extremamente negativo. Isso quer dizer que, na
realidade, temos mais medo da morte do que vocês, você não acha?
Infelizmente, alguns fatores fazem que nossas idéias sobre a guerra
sejam muito incorretas. É hora, portanto, de pensar seriamente sobre
desmilitarização. Eu senti isso profundamente, durante e depois da
crise do Golfo Pérsico. Claro, todos culparam Sadam Hussein, e não
há dúvida de que Sadam Hussein é negativo — ele errou de muitas
maneiras. Afinal, ele é um ditador, e ditadores são obviamente
negativos. No entanto, sem sua organização militar, sem suas armas,
Hussein não seria aquele tipo de ditador. Quem lhe forneceu as
armas? Os fornecedores também têm responsabilidade. Alguns países
ocidentais lhe forneceram armas sem medir as conseqüências.
Pensar apenas em dinheiro, em lucrar vendendo armas, é realmente
horrível. Certa vez, encontrei uma francesa que passara muitos anos
em Beirute, no Líbano. Ela me disse, com grande tristeza, que
durante a crise em Beirute havia gente de um lado da cidade ganhando
dinheiro com a venda de armas, enquanto do outro lado, no mesmo dia,
havia gente inocente sendo morta pelas mesmas armas. Da mesma forma,
de um lado do planeta há pessoas vivendo suntuosamente com o lucro
auferido da venda de armas, enquanto pessoas inocentes morrem do
outro lado do planeta, vítimas daquelas balas sofisticadas. O
primeiro passo, portanto, é parar a venda de armas. às vezes eu
brinco com meus amigos suecos: Vocês são mesmo maravilhosos.
Mantiveram a neutralidade durante o último conflito e sempre
consideram a importância dos direitos humanos e da paz mundial.
ótimo. Mas, nesse meio tempo, estão vendendo muitas armas. Há uma
pequena contradição aí, não há?
Assim, desde a crise do Golfo Pérsico, prometi a mim mesmo que pelo
resto da minha vida contribuirei para avançar a idéia da
desmilitarização. No que diz respeito ao meu país, já resolvi que,
futuramente, o Tibete deverá ser uma zona totalmente
desmilitarizada. Mais uma vez, para tornar a desmilitarização uma
realidade, o fator chave é a compaixão.
Gostaria de concluir explicando melhor o significado de compaixão,
que freqüentemente é mal entendido. Compaixão verdadeira não está
baseada em nossas próprias projeções e expectativas, mas sim nos
direitos do outro: independentemente da outra pessoa ser um amigo
íntimo ou um inimigo, contanto que ela deseje paz e felicidade e
deseje superar o sofrimento, então, baseado nisso, desenvolvemos
respeito verdadeiro para com seus problemas. Isso é compaixão
verdadeira.
Em geral, chamamos qualquer preocupação com um amigo próximo de
compaixão. Isso não é compaixão, é apego. Nem casamentos duram por
apego, embora o apego geralmente esteja presente. Eles duram porque
também há compaixão. Se os casamentos duram pouco, é por perda de
compaixão; só há apego emocional baseado em projeção e expectativa.
Quando o único vínculo entre amigos íntimos é o apego, mesmo uma
questão menor pode causar uma mudança nas projeções. Assim que nossa
projeção muda, o apego desaparece — porque o apego estava baseado
unicamente na projeção e expectativa.
É possível ter compaixão sem apego — e similarmente, ter cólera sem
ódio. Portanto, precisamos esclarecer as diferenças entre compaixão
e apego, e entre cólera e ódio. Tal clareza é útil em nossa vida
diária e em nossos esforços para a paz mundial. Considero esses
valores espirituais como básicos para a felicidade de todos os seres
humanos, tanto do crente quanto do não crente. ¨
(*) Ensinamento dado em Melbourne, Austrália, no National Tennis
Centre, em 4 de maio de 1992 e publicado em "Dimensions of
Spirituality" Wisdom, 1995. Tradução de Bruno D'Avanzo do Centro de
Estudos Budistas Paramitta de Curitiba PR, em sua visita ao CEBB em
julho 1996, e de José Fonseca do CEB-Bodisatva.
sábado, 5 de dezembro de 2015
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
INTRODUÇÃO AO KALACHAKRA
INTRODUÇÃO AO KALACHAKRA
Kirti Tsenshab Rinpoche
PARTE 1
Corpo, fala e mente, e a mente é muito importante. No mantrayana a pessoa diz mantras. Mantra quer dizer proteção de mente, “ma” significa mente e “tra” significa proteção. Mantra quer dizer proteção da mente de percepções ordinárias. E no mantrayana você tem os 4 tantras: kriyatantra, charyatantra, yogatantra e o mais alto yogatantra.
Kalachakra é incluído dentro do yogatantra mais alto. No mais alto yogatantra a pessoa tem o Kalachakra Tantra e no mantrayana se tem a divisão em três: há a base, o caminho e o resultado. Assim a base é o ser do praticante, o que tem que ser purificado. O que purifica é o caminho, e isso é a prática da fase de desenvolvimento e da conclusão.
E o resultado daquela purificação, do que tem que ser purificado, é o conseguimento do estado de Vajradhara. A pessoa tem isto como base do caminho e resultado que tem que ser purificado, e o que purifica, e o resultado da purificação. Geralmente no yogatantra mais alto, a base que tem que ser purificada é nascimento, morte e o bardo (o estado intermediário entre morte e nascimento). E o que purifica são a fase de desenvolvimento e a fase de conclusão, estes dois níveis do caminho que purifica. E através daquela purificação a pessoa tem o conseguimento do resultado, o estado de Vajradhara.
No anuttarayogatantra, no yogatantra mais alto, a pessoa tem isto:
a base, caminho e resultado. A base que tem que ser purificada é o nascimento, morte e bardo. E então o caminho, que é o caminho da fase de desenvolvimento e da conclusão que purifica então o resultado que tem que ser atingido que é o estado Vajradhara. De forma que isto é geral para o yogatantra mais alto.
Dentro do yogatantra mais alto há o Kalachakra, e o Kalachakra usa nomes diferentes. O que tem que ser purificado na base é chamado o Kalachakra exterior e o Kalachakra interno. O Kalachakra exterior é tudo aquilo que não é a mente do praticante. Assim é o sol e as estrelas e assim por diante, tudo o que está fora do indivíduo. Isso é o aspecto exterior que tem que ser purificado.
Então há o que tem que ser purificado dentro do indivíduo pela criação da fase de desenvolvimento e da conclusão organizada, e isso são os canais, os ares, o bindus dentro do indivíduo. Assim isso é a base interna de purificação, o aspecto interno que tem de ser purificado.
No Kalachakra você tem o Kalachakra exterior e o interno que é a base do que tem que ser purificado. E o caminho e o resultado que é achado no que é chamado o outro Kalachakra. O outro inclui a prática da fase de desenvolvimento e da conclusão e o conseguimento do estado de Vajradhara. Assim no Kalachakra a pessoa tem o Kalachakra exterior, o Kalachakra interno e o outro Kalachakra.
No Kalachakra há o tantra raiz, o mulatantra, e o tantra condensado ou abreviado, lagho tantra, e também um comentário para o tantra que é chamado “ O Grande Comentário da Luz Imaculada “ que está no tangyur do Cânon Tibetano para as traduções de comentários. Todos estes três, o dois tantras e o comentário, todos eles, são apresentados em termos de cinco pontos, cinco capítulos. Nestes capítulos, o Kalachakra exterior e o Kalachakra interno formam dois capítulos, e então o resto é o outro Kalachakra.
O primeiro capítulo é o Kalachakra exterior e isso é chamado o capítulo do mundo, do loka. Isto interessa ao orbe e ao sol, à lua e as estrelas no céu. Assim é aproximadamente o externo aspecto do que tem que ser purificado. De forma que é o primeiro capítulo, o capítulo no mundo.
O segundo capítulo é chamado o capítulo interno, interessa ao que tem de ser purificado dentro da prática do Kalachakra. Dentro do
praticante há os canais ou nadis, onde fluem os ares ou vajus e também há o bindus ou gotas, o bindus branco e o vermelho. Este nadis, vajus e bindus são o que tem que ser purificado. A pessoa os purifica pelo método do desenvolvimento da fase e fases de conclusão.
Assim este capítulo interno apresenta o nadis, vajus e bindus dentro do indivíduo, que tem que ser purificado. Aquele segundo capítulo que trata dos aspectos internos do que tem que ser purificado é então chamado o capítulo interno.
Estes primeiros capítulos tratam da base que tem que ser purificada: a base exterior que tem que ser purificada e a base interna que tem ser purificada. E estes dois capítulos também constituem o exterior Kalachakra e o Kalachakra interno.
Os restantes três capítulos tratam do que é chamado o outro Kalachakra que tem que ver com um caminho que tem que ser purificado, o desenvolvimento e a fase de conclusão e com o conseguimento do resultado.
Antes da pessoa poder praticar o desenvolvimento e conclusão a pessoa precisa receber o abisheka, ou autorização.
Assim o terceiro capítulo apresenta a autorização para Kalachakra, então é chamado o capítulo da autorização, o capítulo de abisheka, isso é o terceiro capítulo do tantra de Kalachakra e seu comentário.
Assim em termos do outro Kalachakra, começa com o terceiro capítulo, o capítulo da autorização. O quarto capítulo trata do método para a realização, assim é o capítulo sobre a realização, e significa basicamente o método da sadhana que significa realização em Tibetano, assim é o método da realização. Assim o método da realização é principalmente a fase de geração.
No quarto capítulo é apresentado o método da fase da geração principalmente e a sadhana, um método de realização, assim é chamado capítulo de realização, o capítulo da sadhana.
O quinto capítulo trata principalmente da fase da conclusão. E é a prática de fase de conclusão na qual se atinge o resultado, ou estado de Vajradhara. Então, como o capítulo trata principalmente da fase da conclusão e do resultado, é chamado capítulo da sabedoria (capítulo de jnana). Isso é o quinto capítulo. Assim você tem os cinco capítulos do tantra e o comentário, a apresentação do Kalachakra exterior, interno e outro. Há dentro dos cinco capítulos a apresentação do Kalachakra exterior, e então depois apresentação do Kalachakra interno, e então lá é apresentado o outro Kalachakra, dentro desses cinco capítulos.
Para fazer a prática de Kalachakra a pessoa precisa receber a
autorização. O Dalai Lama dá a autorização. E ele dá isto por uma mandala de areia colorida, esta é uma autorização muito elaborada. Ele não dá a autorização em uma base de uma mandala pintada, de uma representação pintada de mandala mas por esta mandala de areia colorida.
Assim o Dalai Lama dá a autorização na base de uma mandala de areia. A razão, o propósito disso é permitir às pessoas de fazer a prática da geração e as fases de conclusão de Kalachakra, as quais não podem ser feitas sem ter recebido aquela autorização. Para dar um exemplo, você tem nos países diferentes os exércitos. E se você quer se alistar no exército então você tem que ir por exames e treinamento. Eles têm que conferir doenças e o medir e ver como o seu corpo é, ver se você vai poder fazer o treinamento militar e ser um soldado. Da mesma maneira a autorização é como um exame, como uma entrada para ver se você pode praticar a geração e as fases de conclusão ou não. Isto lhe proporciona as condições e circunstâncias que o permitem praticar e treinar dentro da geração e fases de conclusão. Recebendo a autorização é como passando por fases diferentes para poder se alistar no exército.
Tendo recebido então a autorização a pessoa pode fazer a prática da geração e fases de conclusão. E assim isto é como ter podido entrar no exército. Lá a pessoa recebe o treinamento do exército. Assim nos níveis diferentes dentro do exército há a infantaria, e a marinha e a força aérea, assim há todos os níveis diferentes no exército no qual têm que ser treinados. Do mesmo modo a pessoa tem os níveis diferentes na fase de geração e na fase de conclusão.
Como há treinamentos diferentes na infantaria, na marinha e na força aérea, a pessoa tem a prática da fase geração e da fase de conclusão, e assim a pessoa tem dentro de si a meditação no palácio, o palácio divino, no qual há uma deidade. Assim isto é como que se você estivesse na infantaria, você entra em carros,
e se você está na força aérea você viaja dentro de um avião, e do mesmo modo a pessoa visualiza a si mesmo dentro de um palácio divino. Também a pessoa tem que treinar o uso de armas para ser capaz de eliminar o inimigo, e do mesmo modo há a prática dentro da fase de geração e da fase de conclusão. E por ter prosperamente completado o treinamento militar, então a pessoa na verdade vai contra o inimigo, e ataca e derrota o inimigo, então da mesma maneira pela prática da geração e fase de conclusão a pessoa atinge o estado de Vajradhara, de forma que é como ter treinado lutando contra o inimigo e os derrotando.
Assim a pessoa tem o treinamento na fase de geração e na
fase de conclusão. Na fase de geração a pessoa faz a visualização
do palácio divino e dentro daquele faz a visualização de
a si mesmo como tendo o corpo de uma deidade. E assim isto é como uma proteção. Se é a infantaria, enquanto estando em tanques de forma que ele não pode ser prejudicado pelo inimigo, ou se você estivesse viajando em aviões você tem o método para prevenir os projéteis que têm que ser incendiados para os abater. Assim a pessoa faz esta prática da fase de geração dentro do palácio divino e a si mesmo como a deidade.
E então o exército que já está no país, então eles têm os métodos de impedir bombas de vir e assim eles têm proteção, e também eles aprendem a poder incendiar as bombas para abater o inimigo. De forma que está como a prática da fase de conclusão, assim pela fase de conclusão a pessoa aprende de como abater de fato o inimigo com bombas.
Aplicando aquele exemplo interiormente com o exército, lá também existe exércitos externos dentro da meditação de Kalachakra, meditando em si mesmo como a deidade de Kalachakra. O que é principalmente significado são os exércitos internos das corrupções de ignorância e aversão e apego.
Assim este é o exército que o indivíduo tem que derrotar. Assim em ordem de derrotar este exército interno, usa as práticas da
fase de desenvolvimento e da fase de conclusão, assim a pessoa tem que usar os métodos da pessoa, a pessoa tem que usar a infantaria da pessoa, a pessoa tem que usar a marinha, a pessoa tem que usar a força aérea da pessoa e lhes enviar tudo contra inimigos internos para os derrotar.
Então também no ensinamento Kalachakra há uma apresentação de Shambala, assim há um Shambala interno e um Shambala externo, da mesma maneira que há uma guerra interna e uma guerra externa. Assim há um Shambala interno a pessoa tem que identificar. E este Shambala interno são os meios pelos quais derrotam os bárbaros internos, o interno exército que é a ignorância e apego e aversão.
E a pessoa os derrota pelo Shambala interno pelo qual significa um pensamento de renúncia, por método e sabedoria de vacuidade. Pelo caminho de método e sabedoria pode derrotar a pessoa o exército interno dos bárbaros dos três venenos mentais.
Para a prática de Kalachakra há a repetição do mantra, assim Rinpoche nos pede que repitamos depois dele o mantra três vezes, e então, a seguir ele dará uma explicação do significado.
Há algumas pessoas aqui que receberam a autorização do Dalai Lama . O mantra é OM AH HUM HO HAM KSHA MA LA VA RA YA HUM PHAT.
Assim em termos do mantra as primeiras quatro sílabas, OM AH HUM HO, estas são as sílabas do corpo vajra, fala, mente e sabedoria. Assim o OM simboliza o corpo de vajra, o AH simboliza o vajra fala, o HUM simboliza a mente vajra e o HO simboliza a sabedoria vajra.
As primeiras quatro sílabas são símbolos vajras. As próximas sílabas no mantra são HAM e o KSHA, o HAM simboliza Kalachakra e o KSHA é o cônjuge, Vishvamata. Então a próxima sílaba é MA que simboliza o palácio divino. O próprio palácio é um palácio tríplice, assim um palácio dentro de outro, no centro há o palácio da mente, o mandala da mente, e ao redor disso há o mandala da fala, o palácio da mandala de fala, e ao redor disso há o palácio da mandala do corpo de forma que é representado por MA.
Então ao redor da pessoa pode-se ver na mandala um círculo branco na extremidade exterior que é a mandala da água, estes princípios; lá estão os quatro elementos, também há a terra amarela e o vermelho fogo e o ar azul. Estes são simbolizados por estas próximas quatro letras.
Estes quatro são LA VA RA YA, e estes quatro representam os quatro elementos, LA simboliza a terra, então você tem VA que simboliza a água, então RA que simboliza o fogo e então YA que simboliza o ar. Assim essas quatro sílabas simbolizam os quatro elementos.
Para fazer esta purificação por Kalachakra, a pessoa precisa fazer a prática e a pessoa precisa fazer a sadhana. Há tipos diferentes de sadhanas, há muito longa, média e curta, assim há tipos diferentes de sadhana de Kalachakra.
Então na prática do Sadhana, a pessoa tem que visualizar a mandala e a pessoa tem que visualizar os palácios. Explicar isso: nós temos estes palácios, um dentro de outro, assim no íntimo lá está a mandala da mente, então ao redor isso há a mandala da fala, e ao redor disso há a mandala do corpo.
Em particular no interno há a mandala da mente, e se
tem a meditação na mandala da mente, na mandala da fala e na mandala de corpo.As deidades incluídas nisso são 634 deuses, embora haja diferentes modos de contar as deidades, assim há números diferentes, mas podemos dizer que há 634 deidades nessas três mandalas.
A pessoa pode dizer que na mandala interna, no mandala de mente, que é o mandala central, há 46 deidades. Ao redor disso há a mandala da fala onde você tem dakinis da fala ou yoginis da fala, e há 72 delas.
Então na mandala do corpo há muitas deidades. Assim em um ano você tem 12 meses, e cada mês tem 30 dias, de forma que faz 360 dias por cada ano. Assim há uma deidade durante cada dia do ano, assim há deidades astrológicas, deidades numeradas, assim há 360 deles no mandala do corpo.
Na tradição Ocidental você tem meses com 31 dias e alguns com 30 dias e assim por diante, meses com números diferentes de dias. No Calendário Tibetano cada mês tem 30 dias. E assim daquele modo um tem 360 deidades (embora Rinpoche 3 vezes disse 364 deidades), devido ao número de dias por um ano.
Estes são os principais e há muitos mais deidades. Assim um
praticante medita neste número de deidades. A razão é que
cada dia da vida, um dia para os praticantes, uma noite e dia que são 24 horas, 12 horas do dia, 12 horas da noite. E daquele modo é contado uma respiração, é uma respiração dentro e uma respiração fora, um praticante tem 21,600 respirações a cada 24 horas.
Assim ele precisa purificar estas respirações sucessivas. E assim ele purifica isto conforme a sucessão de tempo, com a roda ou
ciclo de tempo. Assim a pessoa purifica as respirações, e a pessoa purifica interiormente os canais e bindus e também externamente os externos elementos e as órbitas do sol, e a lua e as estrelas,
no qual tudo acontecem em ciclos de tempo. De forma que é o seu significado, por que a prática é chamada Kalachakra, ou ciclo de roda de tempo.
Assim contando as respirações, um praticante tem 21,600 respirações um dia, e a pessoa tem que purificar cada uma destas respirações sucessivas. E purificando, então isso limpa o ar que está interiormente se movendo pelo corpo. Assim eles fluirão em uma reta e suave maneira, de forma que também os canais fiquem direitos e lisos e claros, e devido a isso também externamente são purificados os elementos de terra e água e fogo e ar.
Assim também é benéfico para o mundo externo e a sociedade, como interiormente para o corpo e para a paz mental e felicidade pela eliminação de doenças. Assim por trazer paz e felicidade em termos de solucionar os conflitos entre diferente religiões que têm visões diferentes e também os conflitos entre sistemas políticos diferentes. Isso também é pacificado pela prática de Kalachakra.
Aplicando assim aos 10 aspectos poderosos do mantra você tem OM AH HUM HO, symbolizando os quatro vajras. No desígnio dos dez aspectos poderosos que você tem HUM, HUM simboliza a mente, a mente vajra e sobre isso há uma lua crescente. E a lua crescente é o naro que é o sinal da vogal de O, assim o sol crescente simboliza isto com o círculo em cima, representando a sílaba OM, e então representando o corpo vajra.
Em cima daquele círculo há o “nada”, a pequena chama que simboliza a fala vajra, o AH, com o HUM representando a mente vajra. E então o “nada” que também é um símbolo de vacuidade, a essência de vacuidade que também simboliza a vajra-sabedoria.
Enquanto o OM simboliza a purificação do corpo para se tornar um vajra-corpo, AH simboliza a purificação da fala para se tornar uma vajra-fala, HUM a purificação da mente para se tornar vajra-mente, e o HO simboliza um aspecto sutil da consciencia que é purificada para se tornar a vajra-sabedoria. E isto é terminado pela prática da fase de geração que isto simboliza.
O HAM e KSHA simbolizam o Kalachakra e Vishvamata, as duas deidades principais na mandala, e o MA simboliza o Buddha-palácio.
Estes dez aspectos poderosos são algo para o qual não é muito fácil explicar, explicar o mantra por isso é algo mesmo condensado, escrito em manuscrito índiano antigo. E tem estas dez partes, estas dez letras que têm estes dez então diferentes significados.
Para fazer a prática de Kalachakra a pessoa precisa de ter uma sadhana, é o sadhana-capítulo do tantra e comentário, e tendo recebido a autorização do Dalai Lama.
Uma vez que você recebeu isso
você pode praticar a sadhana.
Há uma muito breve e condensada sadhana, composto por Ling Rinpoche, o tutor anterior do Dalai Lama que é chamada a Ioga do Guru de Seis Sessões. E esta é uma prática do que é chamado Nove Deidades Kalachakra. É chamado Nove Deidades Kalachakra porque você tem no centro Kalachakra e o cônjuge, eles contam como um, e então ao redor deles em oito lugares, quatro nas principais direções, quatro nas direções intermediárias, há os oito shaktis ou oito nouma, em Tibetano. Assim estas oito deidades femininas junto com Kalachakra e cônjuge fazem nove. Assim a Nove Deidade prática é muito simples, muito fácil praticar.
É muito sumária, muito simples e fácil de praticar. Há a maior que é a prática do mandala da mente, com 46 deidades. E assim isso foi traduzido em espanhol, provavelmente existe em inglês também, mas isso é difícil de praticar e fazer. Assim para a prática da mente, fala e mandalas de corpo, se isso foi traduzido em inglês ou não, Rinpoche não sabe, mas isso vai ser uma prática muito difícil de fazer. A Nove prática de Deidade é mesmo simples, pode ser feito muito facilmente.
A autorização pelo Dalai Lama, a autorização sempre é para a prática completa para as 634 deidades, mas Nove prática de Deidade foi traduzido em inglês quando o Dalai Lama deu a autorização na Suíça. Isso seria primeiro fácil de fazer.
Perguntas da audiência:
Q: Guerra não é um exemplo bom para usar para prática budista.
R: Era usado como um exemplo porque a pessoa tem que superar corrupções internas com meios fortes, meios suaves não serão capazes de superar as corrupções internas da pessoa. Como por exemplo, se alguém é raivoso e você diz a ele “ você não deveria estar bravo, melhor tranquilizar-se, “ isso dará até mais raiva. Se a pessoa está a um nível mais alto de prática e a pessoa pode os superar através de meios suaves, e então usa meios suaves. Mas um novato não pode fazer, ele têm usar um método forte.
E para um pouco de doença, alguns podem ser tratados por meios suaves, tomando medicamentos para doenças secundárias, mas para doenças mais sérias você tem que se operar. Sempre não é preciso um corte de cirurgião no seu corpo, mas às vezes não há nenhuma outra escolha, e isso é o único modo para curar a pessoa. Por isso nós usamos o exemplo de guerra.
Q: Todas estas deidades diferentes são muito complicadas e isto não dá um senso de unidade.
R: Isso é certo se todo o mundo tivesse a mesma mente, mas
as naturezas de pessoas são muito diferentes. Alguns têm raiva, alguns não têm raiva, alguns têm muito apego, métodos tão diferentes são necessários para pessoas diferentes. Como você tem medicamentos diferentes, se você tem algo no olho, você tem medicamentos para o olho; se você tem um estômago ruim, você toma medicamentos para o estômago. Não há um único medicamento para todas as doenças, você tem medicamentos diferentes para doenças diferentes.
Assim do mesmo modo você tem métodos diferentes para pessoas diferentes. Por exemplo você tem os dentistas se houver algo errado com seu dente, você tem os psiquiatras para curar as doenças da mente. Você tem tipos diferentes de doutores, tipos diferentes de tratamento, não há um tipo de doutor para tudo, então eles também têm tipos diferentes de treinamento médico, assim você tem diferentes tipos de coisas, não uma só. Da mesma maneira em educação, você tem professores de universidade, de ensino médio, professores diferentes, para classes diferentes. Assim você não tem um único professor para todo mundo e para tudo.
PARTE 2
O OM AH HUM HO, o corpo de vajra, fala, mente e sabedoria. Assim para praticantes que são por purificar o seu corpo, de forma que isto se torna um corpo vajra, purificar a fala isto se torna fala vajra, purificar a mente se torna a mente vajra.
E há uma forma muito sutil de consciência que você tem dentro dos cinco agregados, agregado de consciência, há um óbvio e um sutil, purificando o sutil assim, isso cria a sabedoria de vajra. Assim estas são as sílabas semente destes quatro.
Assim nós repetimos o mantra três vezes depois de Rinpoche:
(3X) OM AH HUM HAM KSHA MA LA VA RA YA HUM PHAT
Em cima disso você vê uma lua crescente branca e
então um disco vermelho que é o sol e em cima disso há uma
chama. Assim esses contam como três coisas. Debaixo disso há
sete sílabas. O HAM KSHA MA LA VA RA YA. Mas esses três
aspectos mais os sete fazem os dez aspectos poderosos juntos. No lado você vê as cores, cada letra tem uma cor particular,
começando com HAM que é preto ou escuro azul, e então é KSHA que é verde, e então há um quadrado multicor o qual é MA, e então há o LA amarelo, e o VA é branco, RA é vermelho e YA é azul ou preto.
Incluído dentro disto há símbolos do que tem que ser purificado, o mundo externo que tem que ser purificado, os seres internos que têm que ser purificado, e também o método de purificação como o palácio e a prática da fase da perfeição e a fase de desenvolvimento. A fase de desenvolvimento é simbolizada pelo círculo em cima por exemplo, assim os elementos que têm que ser purificados também são simbolizados entre estas sete letras e estes três símbolos.
Agora a explicação de como o Kalachakra Tantra era primeiro ensinado, como foi ensinado e como foi transmitido em Shambala e então como foi transmitido de Shambala para a Índia. E então como isto veio da Índia para o Tibet.
O Buddha nasceu na Índia. Até que ele tinha 28 anos ele era príncipe, então ele saiu de casa, e então durante 6 anos ele teve sofrimentos e com a idade de 34 ele alcançou Buddhahood em Bodhgaya. Quando ele alcançou Buddhahood ele foi para Varanasi para girar a roda do Dharma, e depois disso ele foi para o sul, para o Dhanyakataka, ensinar o tantra de Kalachakra. Ao mesmo tempo, quando ele tinha 36 anos ensinou no Cume dos Abutres o Sutra da Perfeição de Sabedoria, e ao mesmo tempo no sul em Dhanyakataka ele se manifestou como Kalachakra e ensinou o Kalachakra Tantra em particular para o rei de Shambala que estava acompanhado por 96 reis secundários que vieram com ele de Shambala.
Ao mesmo tempo que Shakyamuni Buddha estava ensinando o Prajnaparamita na montanha do Cume do Abutres, ele emanou no sul a stupa de Dhanyakataka sobre onde ele manifestou 11 mandalas sobre a stupa, e debaixo as mandalas do corpo, fala e mente de Kalachakra. Assim 11 mandalas foram feitas de mandalas de Chakrasamvara e Guyasamaja e assim por diante. Então ele ensinou o Kalachakra Tantra ao Rei de Shambala, principalmente para ele e para os 96 reis secundários dele de Shambala. Isto é agora omonastério de Drepung. O rei Suchandra era uma emanação de Vajrapani, e um 10º nível Bodhisattva, e os menores reis eram emanações de Avalokiteshvara ou Manjushri. Assim estas emanações receberam o tantra de Kalachakra uma vez. E Rei Suchandra levou o texto, o tantra de raiz de Kalachakra, com ele para Shambala. Assim este ensino não existia na Índia, foi levado a Shambala, onde ele compôs um comentário. E então isto foi passado para os seus filhos. Havia 6 reis de Shambala, cada um que reina 100 anos e cada um que passa os ensinos e instruções de Kalachakra. Assim depois que Suchandra havia 600 anos do transmissão de Kalachakra por estes reis de Shambala.
Rei Suchandra voltou para Shambala e lá ele ensinou o tantra raiz, e lá ele construiu o Palácio de Kalachakra, assim ele fez isto e levou três anos para fazer e mais tarde faleceu. E depois houve uma sucessão de 6 reis de Dharma, então 600 anos se passaram.
E então você tem o primeiro dos reis de Kalkin ou reis de Rigden. O primeiro foi chamado Manjushrikirti (Manjuyashas) e para seu reino de 100 anos ele ensinou o Kalachakra Tantra a muitas pessoas. E eles disseram que porque o tantra raiz ensinado pelo Buddha era assim vasto e tão difícil, pôde você abreviar isto. Manjushrikirti, o primeiro Kalkin, compos o texto que foi chamado o tantra de Laghu ou Resumido Tantra de Kalachakra do tantra de raiz muito grande, que foi ensinado pelo Buddha.
A sucessão de 25 reis da dinastia de Kalkin. Manjushrikirti era o primeiro destes 25 reis de Kalkin e então o filho dele, Pundarika, compos um comentário vasto ao tantra condensado. E só é este condensado tantra que foi difundido na Índia e então para o Tibet. Assim o tantra condensado está agora no kangyur, no cânon, de Tibet, mas não o tantra raiz original que não foi introduzido na Índia e Tibet. O comentário de Pundarika por isso é chamado Vimalaprabha (Luz Imaculada), e isso existe no Tibet dentro do kangyur, na coleção de comentários. Manjushrikirti, o primeiro dos reis de Kalkin era uma emanação de Manjushri, e o filho dele Pundarika que escreveu o comentário era uma emanação de Avalokiteshvara.
No tantra raiz do Buddha há uma profecia aproximadamente sobre a atual composição do tantra condensado e o comentário. O Buddha diz a Manjushri e aos bdhisattvas que depois das 600 anos, você, Manjushri, resumirá o tantra e criará um versão condensada. E então depois que aquele Avalokiteshvara escreverá um comentário para isto. Assim a criação do (condensado) tantra raiz e o comentrario por Manjushrikirti e Pundarika foi profetisado pelo Buddha no tantra raiz. De forma que da primeira dinastia, a antiga tradução no oeste onde Kulika estava e agora é Kalkin, a versão correta.
Manjushri e Avalokiteshvara criaram o resumido tantra e o comentário. No Tibet o Panchen Lama é uma emanação de Manjushri, e o Dalai Lama é uma emanação de Avalokiteshvara. Assim desse modo, Eles dão a iniciação de Kalachakra muitas vezes porque deste modo Eles têm aquela conexão forte com Shambala, com Manjushrikirti e Pundarika, uma conexão com Shambala e Kalachakra e o Kalkins. Eles dão muitas vezes esta autorização.
Perguntas da audiência:
Q: Mas o Panchen Lama não é Amitabha?
R: Elas são da mesma família loto. O Panchem Lama também é um renascimento de Guru Rinpoche e de Atisha. E o Dalai Lama é como um renascimento do discípulo principal de Atisha, Dromton, assim eles têm esta relação de Guru-aluno. Atisha é considerado como uma emanação de Amitabha.
O Kalachakra foi ensinado em Shambala e preservado em Shambala e não foi introduzido na Índia até muitos tempos depois. Diz-se que o ensino do Buddha esteve neste mundo durante aproximadamente 2800 anos mas o Kalachakra só foi disponível durante 903 anos.
O modo no qual o Kalachakra foi trazido de Shambala:
Na Índia havia um pandita Chilupa, nascido em Orissa, sul da Índia. E lá ele leu que havia o ensinamento Kalachakra, que não estava disponível dentro da Índia e Tibet mas só em Shambala. Assim ele pensou que ele tinha que ir para Shambala para adquirir este ensino.
E assim ele partiu e ele entrou em um navio para ir para Shambala. Uma emanação do rei de Kalkin daquele tempo, também uma emanação de Manjushri apareceu a ele lhe perguntando onde ele queria ir. E ele disse que ele queria ir para Shambala, e o Kalkin disse que isto não é possível, para ele ir para Shambala, e que ele nunca chegaria lá. Mas perguntou por que ele queria ir lá. Assim Chilupa respondeu que ele queria ir adquirir os ensinamentos de Kalachakra lá. O Kalkin disse que se ele queria ter os ensinamenmtos de Kalachakra, ele os podia dar. Assim esta emanação deu para Chilupa o tantra inteiro e a autorização e as instruções.
E então Chilupa foi para o monastério de Nalanda do qual hoje só se vê ruínas, e teve um aluno chamado Nalandapada, o bodhisattva Nalandapada que recebeu todas as autorizações e instruções.
E então ele escreveu sobre um modo de entrada do Vimalaprabha, o comentário para o Kalachakra que disse que, para entender o Kalachakra primeiro você tem que entender o Manjushri-Namasamghiti, é um texto de elogio dos nomes de Manjushri, e então você pode entender Kalachakra. Se você não faz isso, então você não entende Kalachakra.
E havia 500 panditas e estudantes que debatem com Nalandapada sobre isto, e ele os derrotou nos debates no assunto Kalachakra. Aquela expansão da fama de Kalachakra pela Índia.
O que ele escreveu sobre a entrada foi os dez aspectos poderosos e o mantra de Kalachakra, e em baixo escreveu que para o entender tem-se que entender o Manjushri-Namasamghiti, o tantra que é o elogio dos nomes de Manjushri que está no cânon. Se você não entende Manjushri-Namasamghiti você não entenderá o Kalachakra Tantra.
[Trad. R. Samuel].
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
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